
Não entendo. Não me entendo. A minha vida está em constante transformação, eu estou. Preciso começar a decifrar cada detalhe sobre mim, caso eu me perca. Crescer de mente, amadurecer. Percebi isso quando deixei a barbie de lado, e peguei o lápis de olho. Quando deixei de assistir desenho, pra ver "babados dos famosos". Aquela inocência já havia sido quebrada há algum tempo. Mesmo que eu seja pequena ainda, é uma era de pura mudança. Alguns podem pensar que eu estou querendo crescer rápido, virar adulta e ser dona do meu próprio nariz. Outros vão se identificar, parar e pensar: "Puxa, eu estou passando pelo mesmo momento!" O coração e o cérebro não atuam junto nisso. Cada um vai pra um lado. O coração fica bobo, se apega fácil por aquele que tem o melhor perfume e o melhor abraço. O cérebro já pensa em estudar mais, ajudar mais, não responder pra mãe o pro pai. É aquela fase da rebeldia. Tenho 13 anos, já posso sair sozinha, já posso ir para aquelas festas que não são de aniversário, já tenho idade suficiente para me manter. E pensar que na hora em que precisamos do abraço da mãe, daquela arrumadinha na cama, daquela comida quentinha, daquele presente no dia das crianças, daquela confiança ainda se é uma criança. Um momento, vou colocar meus óculos. É já estou usando. Os olhos não são mais os mesmos. Aqueles olhos alegres, novos, inteiros aonde eu via apenas brincadeiras, foram trocados pelos olhos que vivem em uma tela de computador, televisão. Vivem olhando para aquela lousa cheia de equações e fórmulas. Acabei de guardar meus sapatos, sapatos de salto. Não são mais aquelas rasteirinhas da Hello Kitty, aqueles tênis super fofos e rosas, aquelas botinhas de camurça. Precisei procurar camurça no dicionário. Nessa idade, escrever errado se torna feio, e não bonitinho. Concluo então que eu ainda irei me surpreender mais com essas transformações, e sempre irei aprender de alguma forma, o quanto cresci por dentro.
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